Por que nem todo homicídio vai a Tribunal do Júri?

Por Larissa Rodrigues Wang

janeiro 19, 2026

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Muita gente acredita que todo caso de homicídio é julgado pelo Tribunal do Júri, mas isso não é verdade.
Na prática, nem todo homicídio chega ao plenário, e entender o motivo faz toda a diferença para quem acompanha um processo criminal.

O que define se o caso vai ou não a Júri?

A Constituição determina que o Tribunal do Júri julga os crimes dolosos contra a vida, ou seja, aqueles em que há intenção de matar.

São eles:

  • Homicídio
  • Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio
  • Infanticídio
  • Aborto (nas hipóteses criminais)

Mas atenção: nem todo homicídio é doloso.

Homicídio doloso x homicídio culposo

Aqui está o ponto-chave 👇

  • Homicídio doloso: quando há intenção de matar (ou quando o agente assume o risco de causar a morte).
    Via de regra, vai a Júri.
  • Homicídio culposo: quando não há intenção de matar, mas a morte ocorre por imprudência, negligência ou imperícia.
    Não vai a Júri. É julgado por juiz singular.

Exemplo clássico: acidente de trânsito sem dolo.

A fase da pronúncia: o “filtro” do Júri

Antes de chegar ao plenário, todo processo passa por uma fase decisiva chamada pronúncia.

Nessa etapa, o juiz analisa se:

  • Existem indícios suficientes de autoria
  • Há prova da materialidade
  • O fato realmente configura crime doloso contra a vida

Se o juiz entender que não há dolo, ele pode:

  • Desclassificar o crime
  • Encaminhar o processo para julgamento por juiz singular

Ou seja: o Júri não é automático.

Outras situações em que o caso não vai a Júri

Além da ausência de dolo, o homicídio pode deixar de ir a Júri quando:

  • Fica comprovada, já nessa fase, uma excludente de ilicitude (como legítima defesa)
  • Não há prova mínima para levar o réu a julgamento popular
  • O crime é desclassificado para outro tipo penal

Cada caso exige análise técnica e estratégica da defesa.

Por que isso é tão importante para a defesa?

Porque o Tribunal do Júri:

  • Tem dinâmica própria
  • Exige estratégia específica
  • Trabalha com linguagem, emoção e técnica

Saber quando lutar pelo Júri e quando evitar o Júri pode mudar completamente o rumo do processo.

Por isso, desde o início, a atuação da defesa é decisiva.

Conclusão

Nem todo homicídio vai a Tribunal do Júri porque:

  • Nem toda morte é crime doloso contra a vida
  • Existe uma fase processual que filtra os casos
  • A análise técnica do dolo é fundamental

Informação clara evita medo desnecessário e ajuda a família a entender o caminho do processo.

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